HISTÓRIA DO JAPÃO |
| Castelos do Japão |
Período
antigo (250-710) Em torno do ano 250 da era cristã, o Japão sofreu a invasão de cavaleiros mongóis, que não tardaram em firmar-se como a aristocracia do país. Uma das famílias nobres adquiriu precedência sobre as demais e recorreu a uma suposta origem divina para afiançar seu poder. Assim, segundo a mitologia japonesa, o primeiro membro terreno da família foi o neto de Amaterasu, a deusa do Sol. Enviado do céu para estabelecer a ordem com três símbolos preciosos -- a jóia curvada (magatama), o sabre e o espelho, que permaneceram como símbolos do poder imperial ao longo dos séculos --, o "augusto neto" estabeleceu-se no sudoeste de Kyushu. Um de seus descendentes humanos foi Jimmu Tenno, o quase legendário primeiro imperador do Japão, que ampliou seus domínios até incluir a planície de Yamato, em Honshu, perto da moderna cidade de Osaka. De acordo com as crônicas chinesas, os japoneses, ou wo, divididos em mais de cem estados até o ano 300, foram capazes de enviar um exército à Coréia no ano de 391 para submetê-la, o que em parte conseguiram. Essa façanha não poderia ter sido realizada por pequenos estados, o que pressupõe a unificação sob um poder único e confirma a lenda. O poder se transmitia por hereditariedade. Os membros da corte de Yamato, que procediam de poderosas famílias muraji (cabeças de clãs), deviam vassalagem ao imperador. Outro grupo de famílias poderosas, os omi (caudilhos militares), surgiram durante o processo de unificação nacional. O poder executivo era exercido por um funcionário, semelhante a um primeiro-ministro, cujo cargo era disputado pelos clãs, que podiam recrutar exércitos próprios para conseguir seu propósito. As lutas civis pelo poder debilitaram a ação na Coréia. O Japão foi perdendo as possessões conquistadas na península e com elas os tributos necessários para a manutenção do estado. No ano 562 perdeu o domínio de Mimana para o reino coreano de Silla. No fim do século VI, o país havia chegado ao ponto mais baixo de sua decadência, tanto em assuntos internos como na política de expansão na Coréia. Durante esses anos houve um acontecimento da maior importância cultural. No ano 552, o soberano do reino coreano de Paekche enviou à corte de Yamato uma imagem em bronze de Buda, alguns textos budistas e uma carta na qual louvava o budismo, que, vindo de seu distante berço na Índia, se propagara na Coréia depois de consolidar-se na China. Iname, ministro do clã Soga, dominante na época, viu no budismo não só um eficaz transmissor da cultura e das idéias chinesas, como também o instrumento político adequado para resistir ao poder dos sacerdotes xintoístas do país. A pressão em favor do budismo foi mantida pelo filho e sucessor de Iname, Unako, que teve o apoio do príncipe Shotoku Taishi. O príncipe estabeleceu, no ano 604, a primeira constituição do Japão, com 17 artigos, nos quais se estabelecem os ideais do estado e as normas da conduta humana. À morte de Shotoku, no ano 622, seguiu-se um período de guerras civis que teve como conseqüência o extermínio do clã Soga, em 645. Nesse mesmo ano, o imperador Kotoku, com o apoio do poderoso clã Fujiwara, empreendeu a reforma Taika, que proclamava a monarquia absoluta, declarava o trono proprietário de todas as terras de lavoura e estabelecia sua distribuição em pequenas parcelas às unidades camponesas, que seriam obrigadas a entregar parte de suas colheitas ao estado, como imposto. O sistema, copiado da China dos Tang, seria administrado por funcionários nomeados pelo imperador e seus ministros, e regido pelo código penal (ritsu) e pelos códigos administrativo e civil (rio). |
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Período
Nara (710-784) No ano 710, a capital imperial transferiu-se de Asuka para Nara, no centro da planície de Yamato, onde foi construída uma réplica de Changan, capital da dinastia chinesa Tang. O imperador Shomu e sua consorte Komio se encarregaram de difundir o budismo e a cultura chinesa. Uma de suas medidas foi a fundação de templos budistas, conhecidos como kokubunji. No princípio do século VIII, as tradições japonesas foram reunidas nas duas obras literárias mais antigas do Japão: o Kojiki (Crônica das coisas de antanho) e Nihongi (Crônicas do Japão). |
Período
Heian (794-1185) O imperador Kammu transferiu a capital para Heian-kio (capital da paz) ou Kyoto e rompeu os laços entre o governo e o budismo, cujos sacerdotes se haviam tornado excessivamente ricos e ambiciosos. Durante o século X, sob a hegemonia da família Fujiwara, firmou-se uma cultura autênticamente japonesa, que tinha entre seus principais elementos um silabário próprio, o kana. O idioma japonês, composto foneticamente de apenas 46 signos básicos, não precisava do complexo sistema de escrita chinês. A adoção do novo sistema, sobretudo pelas mulheres, possibilitou o surgimento de uma literatura ágil, desenvolta e às vezes picaresca. Nessa fase, em que o Japão viveu um longo período de paz, forjou-se uma aristocracia cortesã brilhante, refinada e formalista. O budismo, entretanto, foi conquistando lentamente o país, difundindo-se na classe média. Nessa época surgiu a classe dos guerreiros (samurais) que atuavam como polícia militar na corte. Entre eles destacaram-se os Minamoto, da linhagem do imperador Seiwa, e os Taira, descendentes do imperador Kammu. Nos distúrbios de Heiji, em 1159, a família Minamoto foi derrotada e subiu ao poder Taira Kiyomori. Quando os Minamoto se recuperaram, houve uma guerra civil que durou cinco anos e terminou em 1185 com a derrota dos Taira, numa grande batalha naval |