Europa
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Nota: Para outros significados de Europa, ver Europa (desambiguação).
Continentes vizinhos Ásia, África e América
do Norte
Divisões administrativas
- Número de países 50
- Número de territórios 8
Área
- Total 10.498.000 km²
- Maior país Ucrânia (sem contar com a parte europeia da Rússia)
- Menor país Estado do Vaticano
Extremos de elevação
- Ponto mais alto Monte Elbrus (5.642 m), Rússia
- Ponto mais baixo Mar Cáspio (-28 m), Rússia
Maior lago Lago Ládoga (18.400 km²), Rússia
Pontos extremos
- Ponto mais setentrional Cabo Norte, Noruega
- Ponto mais meridional Ierápetra, Grécia
- Ponto mais oriental Polevskoj, Rússia
- Ponto mais ocidental Cabo da Roca, Portugal
Maior ilha Grã-Bretanha (229.885 km²), Reino Unido
Maior vulcão Etna (3.323 m), Sicília, Itália
População
- Total 761.743.255 habitantes
- Densidade 70 hab./km²
- País mais populoso Rússia (141.377.000 hab.)
- País menos populoso Estado do Vaticano (890 hab.)
- País mais povoado Mónaco (17.435,9 hab./km²)
- País menos povoado Islândia (2,74 hab./km²)
Línguas mais faladas russo, alemão, francês, inglês,
italiano e polaco
Economia
- País mais rico Luxemburgo (42 930 dólares/hab. por ano)
- País mais pobre Moldávia (410 dólares/hab. ao ano)
A Europa é a parte ocidental do supercontinente euroasiático.
Embora geograficamente seja considerada uma península da Eurásia,
os povos da Europa têm características culturais e uma história
específicas, o que justifica que o território europeu seja geralmente
considerado como um continente.
Esse continente é o segundo menor em extensão territorial e o quarto mais populoso. Sob o ponto de vista geográfico, a Europa é uma grande península da massa continental asiática (Eurásia), conforme já foi dito. Tradicionalmente, a divisão entre dois continentes é considerada coincidente com os montes Urais, que cortam a Rússia de norte a sul, e com o rio Ural, que deságua no mar Cáspio. Ao sul, a divisão é assinada convencionalmente pelas montanhas do Cáucaso e pelo mar Negro, incluindo os estreitos de Bósforo e Dardanelos. Sob esta denominação, possui uma área de 10.360.000 km², pouco maior que o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo. O continente europeu está separado da África pelo mar Mediterrâneo e pelo estreito de Gibraltar. Muitas extensões da costa irregular do continente formam penínsulas, como Jutlândia (Dinamarca), a Escandinávia, ao norte, e as penínsulas Ibérica, Itálica e Balcânica, ao sul.
A estrutura geológica da Europa é marcado pela elevação relativamente recente da cadeia alpina, que corta o continente de leste a oeste incluindo os Pireneus, os Alpes, os Apeninos, os Cárpatos, os Balcãs e o Cáucaso. O continente apresenta igualmente uma complexa rede hidrográfica, com grandes rios como o Volga, na Rússia, e o Danúbio, que atravessa territórios (ou delimita fronteiras) da Alemanha, Áustria, República Tcheca, Croácia, Hungria, Sérvia, Romênia, Bulgária e Ucrânia. Grande parte do continente consiste de planícies férteis, que se estendem das costas do Atlântico até os Urais. À exceção das grandes áreas polares da Escandinávia e da Rússia, o clima é de modo geral temperado. Estes e outros fatores, tais como os litorais piscosos, rios numerosos e abundantes recursos naturais tornaram a Europa um grande produtor de alimentos, e possiblitaram a manutenção de uma numerosa população, que hoje alcança cerca de 700 milhões de pessoas.
A Europa possui grande diversidade linguística:
são faladas cerca de 60 línguas, quase todas da família
indo-europeia (as exceções mais marcantes são o basco,
o húngaro, o finlandês e o estoninano). A religião predominante
é o cristianismo, incluindo o Catolicismo Romano, o Protestantismo e
a Igreja Ortodoxa. Os muçulmanos e os judeus despontam com as duas minorias
religiosas mais numerosas.
História da Europa
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Europa desenhada pelo cartógrafo antuérpio Abraham Ortelius em
1595A História da Europa descreve a passagem do tempo desde os primeiros
humanos que habitaram o continente europeu até a atualidade. A primeira
evidência do Homo sapiens na Europa data de 35 000 a.C. O relato mais
antigo feito sobre o continente é a Ilíada, de Homero, da Antiga
Grécia, que data de 700 a.C. A república romana foi estabelecida
em 509 a.C., e usurpada pelo Novo Império de Otaviano na metade do primeiro
século. A religião cristã foi adotada no século
IV e organizada no sexto, dentro do Império, pelo Imperador Justiniano
I (527-565) como uma Pentarquia em suas cinco cidades mais importantes: Roma,
Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria. Confrontado com ataques
bárbaros e a praga, o Império foi dividido entre Leste e Oeste,
e a Idade Média se instalou no coração da Europa Ocidental.
O Império Bizantino manteve a luz da civilização queimando
no Leste. O cisma dentro da autoridade da igreja em 1054 aconteceu em seguida
à divisão anterior de 451, e foi prosseguida das Cruzadas do oeste
para recuperar o leste da Invasão dos Muçulmanos. A sociedade
feudal começava a ruir enquanto os invasores mongóis carregavam
a peste negra com eles. Os muros de Constantinopla caem em 1453, e ainda o Novo
Mundo é descoberto em 1492, por iniciativa de Portugueses e Espanhóis.
A Europa acorda do período medieval através do redescobrimento
do ensinamento clássico. A Renascença foi seguida da Reforma Protestante,
do padre alemão Martinho Lutero, que atacou a autoridade papal. A guerra
dos 30 anos, o Tratado de Vestfália e a revolução Gloriosa
deram a base para uma nova era de expansão e o Iluminismo.
A revolução industrial, começando na Grã-Bretanha, permitiu às pessoas, pela primeira vez, não dependerem mais de material de subsistência. O recente Império Britânico dividiu-se assim como suas colônias na América revoltadas para estabelecer um governo representativo. Uma mudança política na Europa aconteceu a partir da Revolução Francesa, quando as pessoas gritavam “Liberté, Egalité, Fraternité”. O líder francês seguinte, Napoleão Bonaparte, conquistou e reformou a estrutura social do continente através de guerras até 1815. Quanto mais e mais donos de pequenas propriedades ganhavam poder de voto, na França e no Reino Unido, a atividade socialista e dos sindicatos desenvolveu-se e a revolução se instalou na Europa em 1848. Os últimos vestígios de servidão foram abolidos da Áustria-Hungria no mesmo ano. A servidão russa foi abolida em 1861. As nações balcânicas começaram a ganhar suas independências do Império Otomano. Depois da Guerra Franco-Prussiana, Itália e Alemanha foram formadas de grupos de principados em 1870 e 1871. Conflitos desencadearam-se ao redor do globo, em uma série de impérios, até que a procura do lugar ao sol acabou com o início da Primeira Guerra Mundial. No desespero da guerra, a Revolução Russa prometia ao povo “paz, pão e terra”. Além de humilhada com o Tratado de Versalhes, a Alemanha tem sua economia destruída com a grande depressão e uma nova grande guerra. Com a vitória do capitalismo e do comunismo sobre o fascismo, começou uma nova ordem mundial conhecida como guerra fria. A Europa Ocidental formou uma área de livre comércio, dividida pela Cortina de Ferro da União Soviética. Quando o muro de Berlim caiu em 1989, a Europa assinou um novo tratado de união, que em 2007, compreendia 27 países europeus.
Pré-história
Stonehenge, no atual Reino Unido.Os Homo erectus e os Neanderthalis habitavam
a Europa bem antes do surgimento dos humanos modernos, os Homo sapiens.Os ossos
dos primeiros europeus foram achados em Dmanisi, Geórgia, e datados de
1,8 milhões de anos. O primeiro aparecimento do povo anatomicamente moderno
na Europa é datado de 35 000 a.C. Evidências de assentamentos permanentes
datam do 7° milênio a.C. na Bulgária, Romênia e Grécia.
O período neolítico chegou na Europa central no 6° milênio
a.C. e em partes da Europa Setentrional no 5° e 4° milênio a.C.
A civilização Tripiliana (5508-2750 a.C.) foi a primeira grande
civilização da Europa e uma das primeiras do mundo; era localizada
na Ucrânia moderna e também na Moldávia e Romênia.
Foi provavelmente mais antiga que os Sumérios no Oriente Próximo,
e tinha cidades com 15 000 habitantes que cobriam 450 hectares.
Começando no Neolítico, tem-se a civilização de Camunni no Val Camonica, Itália, que deixou mais de 350 000 petróglifos, o maior sítio arqueológico da Europa.
Também conhecido como Idade do Cobre, o Calcolítico europeu foi um tempo de mudanças e confusão. O fato mais relevante foi a infiltração e invasão de imensas partes do território por povos originários da Ásia Central, considerado pelos principais historiadores como sendo os originais indo-europeus, mas há ainda diversas teorias em debate. Outro fenômeno foi a expansão do Megalitismo e o aparecimento da primeira significante estratificação econômica e, relacionado a isso, as primeiras monarquias conhecidas da região dos Balcãs. A primeira civilização bem conhecida da Europa foi as do Minóicos da ilha de Creta e depois os Micenas em adjacentes partes da Grécia, no começo do 2° milênio a.C.
Embora o uso do ferro fosse de conhecimento dos povos egeus por volta de 1100 a.C., não chegou à Europa Central antes de 800 a.C., levando ao início da Cultura de Hallstatt, uma evolução da Idade do Ferro (que até então se encontrava na Cultura dos Campos de Urnas). Provavelmente como subproduto desta superioridade tecnológica, pouco depois os indo-europeus consolidam claramente suas posições na Itália e na Península Ibérica, penetrando profundamente naquelas penínsulas (Roma foi fundada em 753 a.C.).
Antiguidade Clássica
Ver artigos principais: Idade Antiga, Antiguidade Clássica, Grécia
antiga, Roma antiga e Império Romano.
O Partenon, na acrópole de AtenasOs gregos e romanos deixaram um legado
na Europa que é evidente nos pensamentos, leis, mentes e línguas
atuais. A Grécia Antiga foi uma união de cidades-estado, na qual
uma primitiva forma de democracia se desenvolveu. Atenas foi sua cidade mais
poderosa e desenvolvida, e um berço de ensinamento nos tempos de Péricles.
Fóruns de cidadãos aconteciam e o policiamento do estado deu ordem
ao aparecimento dos mais notáveis filósofos clássicos,
como Sócrates, Platão e Aristóteles. Como rei do Reino
Grego da Macedônia, as campanhas militares de Alexandre o Grande espalharam
a cultura Helenística e os ensinamentos até as nascentes do rio
Indo.
Império Romano em sua extensão máxima.Mas a república
romana, alicerçada pela vitória sobre Cartago nas Guerras Púnicas,
estava crescendo na região. A sabedoria grega passada às instituições
romanas, assim como a própria Atenas foi absorvida sob a bandeira do
senado e do povo de Roma. Os romanos expandiram seu império desde a Arábia
até a Bretanha. Em 44 a.C. quando atingiu o seu ápice, seu líder,
Júlio César foi morto sob suspeitas de estar corrompendo a república
para se tornar um ditador. Na sucessão, Otaviano usurpou as raízes
do poder e dissolveu o senado romano. Quando proclamou o renascimento da república
ele, de fato, transferiu o poder do senado romano quando república para
um império, o Império Romano.
Idade Média
Ver artigos principais: Invasões Bárbaras, Idade Média
e Baixa Idade Média.
Em 526, a Europa sob domínio gótico, e em 600 com Bizâncio
no seu ápice.Quando o Imperador Constantino reconquistou Roma sob a bandeira
da Cruz em 312, ele rapidamente editou o Édito de Milão em 313,
declarando legal o cristianismo no Império Romano. Além disso,
Constantino mudou oficialmente a capital do império, Roma, para a colônia
grega de Bizâncio, que ele renomeou para Constantinopla ("Cidade
de Constantino"). Em 395, Teodósio I, que tornou o cristianismo
religião oficial do Império Romano, iria ser o último imperador
a comandar o Império Romano em toda a sua unidade, sendo depois o império
dividido em duas partes: O Império Romano do Ocidente, centrado em Ravenna,
e o Império Romano do Oriente (depois referido como Império Bizantino)
centrado em Constantinopla. A parte ocidental foi seguidamente atacada por tribos
nômades germânicas, e em 476 finalmente caiu sob a invasão
dos Hérulos comandados por Odoacro.
A autoridade romana no Oeste entrou em colapso e as províncias ocidentais logo tornaram-se pedaços de reinos germânicos. Entretanto, a cidade de Roma, sob o comando da Igreja Católica Romana permaneceu como um centro de ensino, e fez muito para preservar o pensamento clássico romano na Europa Ocidental. Nesse meio-tempo, o imperador romano em Constantinopla, Justiniano I, conseguiu com sucesso, montar toda a lei romana no Corpus Juris Civilis (529-534). Por todo o século VI, o Império Romano do Oriente esteve envolvido em uma série de conflitos sangrentos, primeiro contra o Império Persa dos Sassânidas, depois pelo Califado Islâmico (Dinastia Omíada). Em 650, as províncias do Egito, Palestina e Síria foram perdidas para forças muçulmanas.
Papa Adriano I pede ajuda a Carlos Magno, rei dos Francos, contra a invasão
de 772.Na Europa Ocidental, uma estrutura política surgia: no vácuo
do poder deixado pelo colapso de Roma, hierarquias locais foram construídas
sob a união das pessoas nas terras que eram trabalhadas. Dízimos
eram pagos ao senhor da terra, e este senhor devia tributos ao príncipe
regional. Os dízimos eram usados para financiar o estado e as guerras.
Esse foi o sistema feudal, no qual novos príncipes e reis apareceram,
no qual o maior deles foi o líder Franco Carlos Magno. Em 800, Carlos
Magno, após suas grandes conquistas territoriais, foi coroado Imperador
dos Romanos ("Imperator Romanorum") pelo Papa Leão III, afirmando
efetivamente seu poder na Europa Ocidental. O reinado de Carlos Magno marcou
o começo de um novo império germânico no oeste, o Sacro
Império Romano. Além de suas fronteiras, novas forças estavam
crescendo. O Principado de Kiev estava delimitando seu território, a
Grande Morávia estava crescendo, enquanto os anglos e os saxões
estavam confirmando suas fronteiras.
Idade Moderna
Renascimento
A Escola de Atenas por Rafael: Contemporâneos, como Michelangelo e Leonardo
da Vinci (centro) são retratados como clássicos eruditos.O Renascimento
foi um movimento cultural que afetou profundamente a vida intelectual européia
no seu período pré-moderno. Começando na Itália,
e espalhando-se de norte a oeste, o renascimento durou aproximadamente 250 anos
e sua influência afetou a literatura, filosofia, arte, política,
ciência, história, religião entre outros aspectos de indagação
intelectual.
O italiano Francesco Petrarca (Francesco di Petracco), suposto primeiro legítimo humanista, escreveu na década de 1330: "Estou vivo agora, ainda que eu prefira ter nascido em outro tempo". Ele era um entusiasta da antiguidade romana e grega. Nos séculos XV e XVI, o contínuo entusiasmo pela antigüidade clássica foi reforçado pela idéia de que a cultura herdada estava se dissipando e de que havia um conjunto de idéias e atitudes com que seria possível reconstruí-la. Matteo Palmieri escreveu em 1430: "Agora, com certeza, todo espírito pensante deve agradecer a Deus, porque a ele foi permitido nascer em uma nova era". O renascimento fez nascer uma nova era em que aprender era muito importante.
O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci demonstra a sua visão para o
homem perfeitamente proporcional.O renascimento foi inspirado pelo crescimento
dos estudos de textos latinos e gregos e a admiração da era greco-romana
como uma época de ouro. Isso incitou muitos artistas e escritores a tomar
emprestados exemplos gregos e romanos para suas obras, mas também existiram
muitas inovações nesse período, especialmente através
de artistas multifacetados tais quais Leonardo da Vinci. Muitos textos gregos
e romanos ainda existiam na Idade Média européia. Os monges copiaram
e recopiaram os textos antigos e os guardaram por todo um milênio, apesar
de tê-lo feito com outras intenções. Muitos outros foram
descobertos com a migração de estudiosos gregos, assim como de
textos gregos clássicos, para a Itália, após a queda de
Constantinopla, enquanto outros textos gregos e romanos chegaram através
de fontes islâmicas, que os herdaram através das conquistas, e
até mesmo fazendo tentativas de melhorar alguns deles. Com o orgulho
natural de pensadores avançados, os humanistas viram o ressurgimento
desse grande passado como uma renascença – o renascimento da própria
civilização.
Importantes precedentes políticos aconteceram neste período. O político Nicolau Maquiavel escreveu "O Príncipe" que influenciou o posterior absolutismo e a política pragmática. Também foram importantes os diversos líderes que governaram estados e usaram a arte da Renascença como um sinal de seus poderes.
Reformas
Reforma Protestante
Durante esse período, a corrupção da Igreja Católica
levou a uma dura reação, na Reforma Protestante.[3] E ela ganhou
muitos seguidores, especialmente entre príncipes e reis buscando um estado
forte para acabar com a influência da igreja católica. Figuras
como Martinho Lutero começaram a surgir, assim também como João
Calvino com o seu Calvinismo que teve influência em muitos países
e o rei Henrique VIII da Inglaterra que rompeu com a igreja católica
e fundou a Igreja Anglicana. Essas divisões religiosas trouxeram uma
onda de guerras inspiradas e conduzidas religiosamente, mas também pela
ambição dos monarcas na Europa Ocidental que se tornavam cada
vez mais centralizadas e poderosas.
A reforma protestante também levou a um forte movimento reformista na igreja católica chamado Contra-Reforma, que tinha como objetivo reduzir a corrupção, assim como aumentar e fortalecer o dogma católico. Um importante grupo da igreja católica que surgiu nessa época foram os Jesuítas, que ajudaram a manter a Europa Oriental na linha católica de pensamento. Mesmo assim, a igreja católica foi fortemente enfraquecida pela reforma e, grande parte do continente não estava mais sob sua influência e os reis nos países que continuaram no catolicismo começaram a anexar as terras da igreja para seus próprios domínios.
As 95 Teses do monge alemão Martinho Lutero que quebraram a autocracia
papal.Diferentemente da Europa Ocidental, os países da Europa Central,
a Comunidade Polaco-Lituana e a Hungria, foram mais tolerantes. Enquanto se
aumentava a predominância do catolicismo, eles ainda permitiam que um
grande número de minorias religiosas cultivasse suas crenças.
Assim, a Europa Central manteve-se dividida entre católicos, protestantes,
ortodoxos e judeus. Outro importante acontecimento desta época foi o
crescimento do sentimento de união do povo europeu. Émeric Crucé
(1623) formulou a idéia do Conselho Europeu, com a intenção
de acabar com as guerras na europa; visto que a última tentativa de criar
paz na europa não obteve sucesso quando todos os países europeus
(exceto a Rússia e o Império Otomano, vistos como estrangeiros)
fizeram um tratado de paz em 1518 no Tratado de Londres. Muitas guerras estouraram
de novo em poucos anos. A reforma proporcionou a paz impossível na Europa
por muitos séculos ainda.
Outro desenvolvimento foi a idéia da superioridade européia. O ideal de civilização foi baseado nos antigos gregos e romanos: disciplina, educação e viver em uma cidade eram requeridos para tornar o povo civilizado; europeus e não europeus eram julgados por sua civilidade. Serviços postais eram encontrados por todas as regiões, o que permitiu uma rede humanística de intelectuais interconectados pela Europa, mesmo com as divisões religiosas. Entretanto, a Igreja Católica Romana proibiu e baniu muitos trabalhos científicos promissores; isso trouxe uma vantagem aos países protestantes, onde o banimento de livros era organizado regionalmente. Francis Bacon e outros líderes da ciência tentaram criar uma unidade na Europa focando-se na unidade pela natureza. No século XV, com o fim da Idade Média, poderosos estados apareceram, construídos por novos monarcas, que centralizaram o poder na França, Inglaterra e Espanha. Por outro lado, o parlamento da Comunidade Polaco-Lituana ganhou poder, tirando os direitos legislativos do rei polonês. O poder do novo estado foi contestado por parlamentares em outros países, especialmente a Inglaterra. Novos tipos de estados surgiam com a cooperação entre governantes de terras, cidades, repúblicas de fazendas e guerreiros.
A Era dos Descobrimentos
Mercantilismo e Era dos Descobrimentos.
As numerosas guerras não impediram que os novos estados explorassem e
conquistassem largas porções do mundo, particularmente na Ásia
(Sibéria) e a recém-descoberta América. No século
XV, Portugal liderou a exploração geográfica, seguido pela
Espanha no começo no século XVI. Eles foram os primeiros estados
a fundar colônias na América e estações de troca
nas costas da África e da Ásia, porém logo foram seguidos
pela França, Inglaterra e Holanda. Em 1552, o czar Russo Ivan, o Terrível
conquistou os dois maiores khanatos tártaros, Kazan e Astrakhan, e a
viagem de Yermak em 1580, que levou a anexação da Sibéria
pela Rússia.
O porto marítimo de Villa Medici em 1638, por Claude Lorrain.A expansão
colonial prosseguiu-se nos anos seguintes (mesmo com alguns empecilhos, como
a Revolução Americana e as guerras pela independência em
muitas colônias americanas). A Espanha controlou parte da América
do Norte e grande parte da América Central e do Sul, o Caribe e Filipinas.;
Portugal teve em suas mãos o Brasil e a maior parte dos territórios
costeiros em África e na Ásia (Índia e pequenos territórios
na China etc);[10] Os britânicos comandavam a Austrália, Nova Zelândia,
maior parte da Índia e grande parte da África e América
do Norte; a França comandou partes do Canadá e da Índia
(porém quase tudo foi perdido para os britânicos em 1763), a Indochina,
grandes terras na África e Caribe; a Holanda ganhou as Índias
Orientais (hoje Indonésia) e algumas ilhas no Caribe; países como
Alemanha, Bélgica, Itália e Rússia conquistaram colônias
posteriormente.
Essa expansão ajudou a economia dos países que a fizeram. O comércio prosperou, por causa da menor estabilidade entre os impérios. No final do século XVI, a prata americana era responsável por 1/5 de todo o comércio da Espanha. Os países europeus travaram guerras que foram pagas através do dinheiro conseguido com a exploração das colônias. No entanto, os lucros com o tráfico de escravos e as plantações das Índias Ocidentais, a mais rentável das colônias britânicas naquele momento, representavam apenas 5% de toda a economia do Império Britânico no final do século XVIII, tempo da Revolução Industrial.
Iluminismo
A Batalha de Nördlingen na Guerra dos 30 anos.A partir do início
deste período, o capitalismo substituía o feudalismo como principal
forma de organização econômica, ao menos no oeste da Europa.
A expansão das fronteiras coloniais resultou em uma Revolução
Comercial. Nota-se no período o crescimento da ciência moderna
e a aplicação de suas descobertas em melhorias tecnológicas,
que culminaram com a revolução Industrial. Descobertas ibéricas
do Novo Mundo, que começaram com a jornada de Cristovão Colombo
ao oeste com a busca de uma rota fácil para as Índias Orientais
em 1492, foram logo adaptadas por explorações inglesas e francesas
na América do Norte. Novas formas de comércio e a expansão
dos horizontes fizeram necessária uma mudança no direito internacional.
A reforma protestante produziu efeitos profundos na unidade européia. Não apenas dividindo as nações uma das outras pela sua orientação religiosa, mas alguns estados foram afetados internamente por lutas religiosas, fortemente encorajadas por seus inimigos externos. A França viveu essa situação no século XVI com uma série de conflitos, como as guerras religiosas na França, que culminaram no triunfo da Dinastia Bourbon. A Inglaterra preveniu-se desse fato com a consolidação sob a Rainha Elizabeth do moderado Anglicanismo. Quase toda parte da atual Alemanha estava dividida em inúmeros estados sob o comando teórico do Sacro Império Romano Germânico, que também estava dividido dentro do próprio governo. A única exceção a isso era a Comunidade Polaco-Lituana, uma união criada pela União de Lublin, expressando uma grande tolerância religiosa. Esse embate religioso aconteceu até a Guerra dos Trinta Anos quando o nacionalismo substituiu a religião como principal motor dos conflitos na europa.
A Guerra dos Trinta Anos aconteceu entre 1618 e 1648,principalmente no território da atual Alemanha, e envolveu as principais potências européias. Começou como um conflito religioso entre Protestantes e Católicos no Sacro Império Romano Germânico, e gradualmente desenvolveu-se em uma guerra geral, envolvendo boa parte da europa, por razões não necessariamente ligadas à religião. O maior impacto da guerra, na qual exércitos de mercenários foram largamente utilizados, foi a devastação de regiões inteiras na busca do exército inimigo. Episódios como a disseminação da fome e das doenças devastaram a população dos estados germânicos e, em menor grau, dos Países Baixos e da Itália, onde levaram à falência muito dos poderes regionais envolvidos. Entre um quarto e um terço da população alemã pereceu por causas diretamente ligadas à guerra ou ainda de doenças e miséria causadas pelo conflito armado. A guerra durou trinta anos, mas os conflitos que ela deu início ainda continuaram sem solução por muito tempo.
Mapa da Europa em 1648, após o Tratado de Vestfália. A área
em cinza representa os Estados alemães do Sacro Império.Depois
da Paz de Vestfália, que permitiu aos países que eles escolhessem
sua orientação religiosa, o Absolutismo tornou-se o padrão
do continente, enquanto a Inglaterra caminhava rumo ao liberalismo com a Guerra
Civil Inglesa e a Revolução Gloriosa. Os conflitos militares na
europa não acabaram, mas tiveram menos impacto na vida de seus cidadãos.
No noroeste, o Iluminismo deu a base filosófica para um novo ponto de
vista na sociedade, e a contínua difusão da literatura foi possível
com a invenção da prensa, criando novas formas de avanço
do pensamento humano. Ainda, nesse segmento, a Comunidade Polaco-Lituana foi
uma exceção, com sua quase democrática "liberdade
dourada".
A Europa Oriental era uma arena de conflito disputada por Suécia, a Comunidade Polaco-Lituana e o Império Otomano. Nesse período observou-se um gradual declínio destes três poderes que foram eventualmente substituídos pelas novas monarquias absolutistas, Rússia, Prússia e Áustria. Na virada para o século XIX, eles tornaram-se as novas potências, dividindo a Polônia entre si, com Suécia e Turquia perdendo territórios substanciais para Rússia e Áustria respectivamente. Uma grande parte de judeus poloneses emigrou para a Europa Ocidental, fundando comunidades judaicas em lugares de onde foram expulsos durante a Idade Média.
Revoluções políticas
A tomada da Bastilha na Revolução Francesa em 1789.A intervenção
francesa na Guerra de Independência dos EUA levou o estado francês
à falência. Depois de diversas tentativas falhas de uma reforma
financeira, Luís XVI foi forçado a reavivar a Assembléia
dos Estados Gerais, um corpo representativo do país feito pelas três
classes do estado: o clero, os nobres e o povo. Os membros dos Estados-Gerais
reuniram-se no Palácio de Versalhes em maio de 1789, mas o debate e a
forma de votação que seria usada criaram um impasse. Veio junho,
e o terceiro estado, associado a membros dos dois outros estados, declarou-se
uma Assembléia Nacional e prometeu não se dissolver até
que a França tivesse uma constituição e criasse, em Julho,
uma Assembléia Nacional Constituinte. No mesmo tempo, os parisienses
revoltaram-se, celebremente derrubando a prisão da Bastilha em 14 de
julho de 1789.
Nesse tempo, a assembléia criou uma monarquia constitucional, e nos dois anos que se passaram várias leis foram criadas como a Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão, a abolição do feudalismo e uma mudança fundamental das relações entre a França e Roma. No início, o rei continuou no trono ao longo dessas mudanças e gozou de uma popularidade razoável com o povo, mas a anti-realeza crescia com o perigo de uma invasão estrangeira. Então o rei, sem poderes, decidiu fugir com a sua família, mas ele foi reconhecido de volta a Paris. Em 12 de janeiro de 1793, sendo convicta sua traição, ele foi executado.
Em 20 de setembro de 1792, a convenção nacional aboliu a monarquia e declarou a França uma república.Devido à eminência das guerras, a convenção nacional criou o Comitê de Salvação Pública controlado por Maximilien Robespierre do Partido dos Jacobinos, para atuar como executivo do país. Sob Robespierre o comitê iniciava o Reino do terror, no qual cerca de 40.000 pessoas foram executadas em Paris, na maioria nobres, apesar de, freqüentemente, faltarem evidências. Por todo o país, insurreições contra-revolução foram brutalmente reprimidas. O regime foi posto abaixo no golpe de 9 Termidor (27 de Julho de 1794) e Robespierre foi executado. O regime que se seguiu acabou com o Terror e afrouxou a maioria das regras extremas de Robespierre.
A Batalha de Waterloo, onde Napoleão foi derrotado pelo Duque de Wellington
em 1815.Napoleão Bonaparte foi o general francês que mais obteve
sucesso nas guerras da Revolução, tendo conquistado grandes porções
da Itália e forçado os austríacos à paz. Em 1799,
retornou do Egito e em 18 de Brumário (9 de Novembro) subjugou o governo,
substituindo-o pelo seu Consulado, do qual tornou-se o primeiro Cônsul.[20]
Em 2 de Dezembro de 1804, depois duma tentativa de assassinato, ele coroou-se
imperador. Em 1805, Napoleão planejou invadir a Grã-Bretanha,
mas a recém-criada aliança entre britânicos, russos e austríacos
(Terceira Coalizão) forçou-o a direcionar a atenção
para o continente, quando ao mesmo tempo ele tinha falhado em desviar a Armada
Superior Britânica para longe do Canal da Mancha, ocasionando uma decisiva
derrota francesa na batalha de Trafalgar em 21 de Outubro, e colocando um fim
em suas esperanças de invadir a Grã-Bretanha. Em 2 de Dezembro
de 1805, Napoleão derrotou o exército austro-russo, numericamente
superior, em Austerlitz, forçando a Áustria desistir da coalizão
e levando à fragmentação do Sacro Império Romano
Germânico.[20] Em 1806, a Quarta coalizão foi formada; em 14 de
Outubro Napoleão derrotou os prussianos na Batalha de Jena-Auerstedt,
marchando através da Alemanha e derrotando os russos em 14 de Junho de
1807 em Friedland. Os Tratados de Tilsit dividiram a Europa entre França
e Rússia e criaram o Ducado de Varsóvia.[20]
Em 12 de junho de 1812, Napoleão invadiu a Rússia
com sua Grande Armée de aproximadamente 700.000 soldados.[20] Após
as vitórias em Smolensk e Borodino, Napoleão ocupou Moscou, apenas
para encontrá-la queimada pelo exército russo em retirada. Assim,
ele foi forçado a bater com seu exército em retirada. Na volta
seu exército foi arrasado pelos cossacos e sofreu de doenças,
fome e com o rigoroso inverno russo. Apenas 20.000 soldados sobreviveram a essa
campanha.[20] Em 1813, começou o declínio de Napoleão,
sendo derrotado pelo Exército das Sete Nações na Batalha
de Leipzig em outubro de 1813. Ele foi forçado a abdicar depois da Campanha
dos Seis Dias e a ocupação de Paris. Sob o Tratado de Fontainebleau
ele foi exilado na Ilha de Elba. Retornou à França em 1° de
março de 1815 e convocou um exército leal, mas foi compreensivelmente
derrotado por forças britânicas e prussianas na Batalha de Waterloo
em 18 de junho de 1815.
A formação das nações
Unificação Italiana, Guerra Franco-prussiana, Guerra da Criméia
e Revoluções de 1848.
Populares apoiando a Revolução de 1848 em Berlim.Depois da derrota
da revolucionária França, outras grandes forças tentaram
restaurar a situação existente antes de 1789. Em 1815, no Congresso
de Viena, as maiores forças da Europa se organizaram para produzir um
pacífico equilíbrio de poder entre os impérios depois das
Guerras Napoleônicas (embora estivessem ocorrendo movimentos internos
revolucionários) sob o sistema de Matternich. Entretanto, seus esforços
foram incapazes de parar a propagação de movimentos revolucionários:
a classe média foi profundamente influenciada pelos ideais de democracia
da Revolução Francesa, a revolução Industrial trouxe
importantes mudanças sócio-econômicas, as classes baixas
começaram a ser influenciadas pelas idéias socialistas, comunistas
e anarquistas (especialmente unidas por Karl Marx no Manifesto Comunista), e
a preferência dos novos capitalistas era o liberalismo.
Em 1815, as fronteiras da Europa foram refeitas, quando suas raízes já
haviam sido sacudidas pelos exércitos de Napoleão.Uma nova onda
de instabilidade veio da formação de diversos movimentos nacionalistas
(na Alemanha, Itália, Polônia, etc.), buscando uma unidade nacional
e/ou liberação do domínio estrangeiro. Como resultado,
o período entre 1815 e 1871 foi palco de um grande número de conflitos
e guerras de independência. Napoleão III, sobrinho de Napoleão
I, retornou do exílio na Inglaterra em 1848 para ser eleito pelo parlamento
francês, como o então "Presidente-Príncipe" e
num golpe de estado eleger-se imperador, aprovado depois pela grande maioria
do eleitorado francês. Ele ajudou na unificação da Itália
lutando contra o Império Austríaco e lutou a Guerra da Criméia
com a Inglaterra e o Império Otomano contra a Rússia. Seu império
ruiu depois de uma infame derrota para a Prússia, na qual ele foi capturado.
A França então se tornou uma fraca república que recusava-se
a negociar e foi derrotada pela Prússia em poucos meses. Em Versalhes,
o Rei Guilherme I da Prússia foi proclamado Imperador da Alemanha e a
Alemanha moderna nasceu. Mesmo que a maioria dos revolucionários tenha
sido derrotada, muitos estados europeus tornaram-se monarquias constitucionais,
e em 1871 Alemanha e Itália se desenvolveram em estados-nação.
Foi no século XIX também que se observou o Império Britânico
emergir como o primeiro poder global do mundo devido, em grande parte, à
Revolução Industrial e a vitória nas Guerras Napoleônicas.
Impérios
Neocolonialismo, Império Otomano, Império Habsburgo, Império
Russo, Império Francês, Império Britânico e Império
Holandês.
Paris durante a Feira Mundial de 1884.A paz iria apenas durar até que
o Império Otomano declinasse suficientemente para se tornar alvo de outros.
Isso incitou a Guerra da Criméia em 1854, e começou um tenso período
de pequenos conflitos entre as nações dominantes da Europa que
deram o primeiro passo para a posterior Primeira Guerra Mundial. Isso mudou
uma terceira vez com o fim de várias guerras que transformaram o Reino
da Sardenha e o Reino da Prússia nas nações da Itália
e da Alemanha, mudando significativamente o balanço do poder na Europa.
A partir de 1870, a hegemonia Bismarquiana na Europa pôs a França
em uma situação crítica. Ela devagar reconstruiu suas relações
internacionais, buscando alianças com a Grã-Bretanha e Rússia,
para controlar o crescente poder da Alemanha sobre a Europa. Desse modo, dois
lados opostos se formaram na Europa, incrementando suas forças militares
e suas alianças ano a ano.
Revolução Industrial
Ver artigo principal: Revolução Industrial
Céu de chaminés de Londres em 1870, por Gustave Doré.A
Revolução Industrial foi um período compreendido entre
o fim do século XVIII e o começo do século XIX, no qual
ocorreram grandes mudanças na agricultura, manufatura e transporte e
foi produzido um profundo efeito socioeconômico e cultural na Grã-Bretanha,
que posteriormente se espalhou por toda a Europa, América do Norte, e
depois para todo o mundo, em um processo que ainda continua: a Industrialização.
Na parte final dos anos de 1700 a economia baseada na força manual no
Reino da Grã-Bretanha começou a ser substituída por outra
dominada pela indústria e pelas máquinas. Começou com a
mecanização das indústrias têxteis, o desenvolvimento
de técnicas avançadas de produção de ferro e o aumento
do uso de carvão refinado. A expansão do comércio foi possibilitada
com a introdução de canais, rodovias e auto-estradas. A introdução
das máquinas a vapor (abastecidas primeiramente com carvão) e
maquinaria bruta (principalmente na manufatura têxtil) deram a base para
grandes aumentos na capacidade produtiva inglesa.[30] O desenvolvimento de máquinas
de ferramentas nas duas primeiras décadas do século XIX facilitou
a produção de mais máquinas para serem utilizadas em outras
indústrias. Durante o século XIX, a industrialização
se alastrou pelo resto da Europa Ocidental e América do Norte, afetando
posteriormente grande parte do mundo.
Guerras mundiais
Ver artigos principais: Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa
de 1917, Tratado de Versalhes, Grande depressão e Segunda Guerra Mundial.
As trincheiras tornaram-se famosos símbolos dos combates da Primeira
Guerra Mundial.Depois da relativa paz na maior parte do século XIX, a
rivalidade entre as potências européias explodiu em 1914, quando
a Primeira Guerra Mundial começou. Mais de 60 milhões de soldados
europeus foram mobilizados entre 1914 e 1918.[31] De um lado estavam Alemanha,
Áustria-Hungria, o Império Otomano e a Bulgária (Poderes
Centrais/Tríplice Aliança), enquanto que no outro lado estavam
a Sérvia e a Tríplice Entente – a elástica coalizão
entre França, Reino Unido e Rússia, que ganhou a participação
da Itália em 1915 e dos Estados Unidos em 1917. Embora a Rússia
tenha sido derrotada em 1917 (a guerra foi uma das maiores causas da Revolução
Russa, levando à formação da comunista União Soviética),
a Entente finalmente prevaleceu no outono de 1918.
No Tratado de Versalhes (1919) os vencedores impuseram severas condições à Alemanha e aos novos estados reconhecidos (tais como Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Áustria, Iugoslávia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia) criados na Europa Central a partir dos extintos impérios Alemão, Austro-Húngaro e Russo, supostamente na base da auto-definição. A maioria desses países entraria em guerras locais, sendo a maior delas a Guerra Polaco-Soviética (1919-1921). Nas décadas seguintes, o medo do comunismo e a Grande Depressão (1929-1943) levaram grupos extremistas nacionalistas - sob a categoria do fascismo – na Itália (1922), Alemanha (1933), Espanha (depois da guerra civil, terminada em 1939) e em outros países como a Hungria.
Hitler e Mussolini formaram o Pacto do Eixo e dominaram a maior parte da Europa
na fase inicial da Segunda Guerra Mundial.Depois de aliar-se com a Itália
de Mussolini no Pacto de Aço e assinar o pacto de não-agressão
com a União Soviética, o ditador alemão Adolf Hitler começou
a Segunda Guerra Mundial em 1° de Setembro de 1939 invadindo a Polônia,
depois de uma expansão militar ocorrida no final da década de
1930. Após sucessos iniciais (principalmente a conquista do oeste da
Polônia, grande parte da Escandinávia, França e os Balcãs
antes de 1941), as forças do Eixo começaram a enfraquecer-se em
1941. Os principais oponentes ideológicos de Hitler eram os comunistas
da Rússia, mas por causa da falha alemã em derrotar o Reino Unido
e das falhas italianas no norte da África e no Mediterrâneo, as
forças do Eixo se resumiram à Europa Ocidental, Escandinávia,
além de ataques a África. O ataque feito posteriormente à
União Soviética (que junto com a Alemanha dividiu a Europa central
em 1939-1940) não foi feito com a força necessária. Apesar
de um sucesso inicial, o exército alemão foi parado perto de Moscou
em dezembro de 1941.
Apenas no próximo ano é que o avanço alemão seria parado e eles começariam a sofrer uma série de derrotas, como por exemplo, nas batalhas de Stalingrado e Kursk. Nesse interim, o Japão (aliado de Alemanha e Itália desde setembro de 1940) atacou os britânicos no Sudeste Asiático e os Estados Unidos no Havaí em 7 de Dezembro de 1941; a Alemanha então completou sua expansão declarando guerra aos Estados Unidos. A guerra aumentou a tensão entre o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (Reino Unido, União Soviética e os Estados Unidos). As forças Aliadas venceram no norte da África e invadiram a Itália em 1943, e a ocupada França em 1944. Na primavera de 1945, a Alemanha foi invadida pelo leste pela União Soviética e pelo oeste pelos Aliados; Hitler cometeu suicídio e a Alemanha se rendeu no começo de maio acabando com a guerra na Europa.
O período foi marcado também por um industrializado e planejado genocídio de mais de 11 milhões de pessoas, incluindo a maioria dos judeus da Europa e ciganos, assim como milhões de poloneses e eslavos soviéticos. O sistema soviético de trabalho forçado, as expulsões da população da União Soviética e a grande fome da Ucrânia tiveram semelhante carga de mortes. Durante e depois da guerra, milhões de civis foram afetadas pelas forçadas transferências da população.
Guerra Fria
Ver artigos principais: Guerra Fria, OTAN, Plano Marshall e Comunidade Européia.
Trabalhadores da Alemanha Oriental construindo o Muro de Berlim, 20 de Novembro
de 1961.A Primeira e especialmente a Segunda Guerra Mundial acabaram com a preponderante
posição da Europa Ocidental. O mapa do continente foi redesenhado
na Conferência de Yalta e dividido se tornou a principal zona de contenção
na Guerra Fria entre dois blocos, os países ocidentais e o bloco Oriental.
Os Estados Unidos e a Europa Ocidental (Reino Unido, França, Itália,
Países Baixos, Alemanha Ocidental, etc.) estabeleceram a aliança
da OTAN como proteção contra uma possível invasão
soviética. Depois, a União Soviética e o Leste Europeu
(Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária
e Alemanha Oriental) estabeleceram o Pacto de Varsóvia como proteção
contra uma possível invasão dos Estados Unidos
Na mesma época, a Europa Ocidental lentamente começou um processo de integração política e econômica, desejando um continente unido e integrado para prevenir outra guerra. Esse processo resultou naturalmente no desenvolvimento de organizações como a União Européia e o Conselho da Europa. O movimento Solidarnosc que aconteceu na década de 1980 enfraqueceu o governo comunista na Polônia, foi o começo do fim do domínio comunista na Europa Oriental e o declínio da União Soviética. O líder soviético Mikhail Gorbachev instituiu a Perestroika e a Glasnost, que enfraqueceram oficialmente a influência soviética na Europa Oriental. Os governos que davam suporte aos soviéticos entraram em colapso e a Alemanha Ocidental anexou a Oriental em 1990. Em 1991, a própria União Soviética ruiu, dividindo-se em 15 estados, com a Rússia tomando o lugar da União Soviética no Conselho de Segurança da ONU. Entretanto, a separação mais violenta aconteceu na Iugoslávia, nos Balcãs. Quatro (Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegóvina e Macedônia) das seis repúblicas iugoslavas declararam independência e para a maioria delas uma violenta guerra se seguiu, em algumas partes até 1995. Em 2006, Montenegro se separou e declarou independência, seguido por Kosovo, formalmente uma província autônoma da Sérvia, em 2008, e descaracterizando completamente o antigo mapa da Iugoslávia. Na era pós-guerra fria, OTAN e a União Européia foram gradualmente admitindo a maioria dos antigos estados membros do Pacto de Varsóvia.
Reunificação e integração
Ver artigos principais: História da União Européia e Integração
Européia.
Em 1992, o Tratado de Maastricht foi assinado pelos então membros da
União Européia. Isso transformou o "Projeto Europeu"
de ser uma comunidade econômica com certos aspectos políticos,
numa união com uma intensa cooperação e prosperidade baseada
em uma união de soberanias nacionais.
Em 1985, o Acordo de Schengen já havia uma área sem fronteiras e sem controle de passaporte entre os estados que o assinaram.
A bandeira europeia.Uma moeda comum para a maioria dos estados membros da União
Européia, o euro, foi estabelecida eletronicamente em 1999, oficialmente
partilhando todas as moedas de cada participante com os outros. A nova moeda
foi posta em circulação em 2002 e as velhas foram retiradas dos
mercados. Apenas três países dos quinze Estados-membros decidiram
não aderir ao euro (Reino Unido, Dinamarca e Suécia). Em 2004,
a UE deu ordem à sua maior expansão, admitindo 10 novos membros
(oito dos quais antigos estados comunistas). Outros dois ingressaram no grupo
em 2007, num total de 27 nações.
Um tratado estabelecendo uma constituição para a UE foi assinado em Roma em 2004, com a intenção de substituir todos os antigos tratados com apenas um só documento. Entretanto, sua ratificação nunca foi feita devido à rejeição de franceses e holandeses via referendo. Em 2007, concordou-se em substituir aquela proposta com um novo tratado reformado, o Tratado de Lisboa, que iria entrar como uma emenda ao invés de substituir os tratados existentes. Esse tratado foi assinado em 13 de Dezembro de 2007, e vai entrar em vigor em janeiro de 2009, se ratificado até essa data. Isso dará a União Européia seu primeiro presidente permanente e ministro de relações exteriores.
Os Balcãs são a parte da Europa que mais deseja aderir a União Européia, com a Croácia notadamente esperando ser aceita antes de 2010