Problemas Ambientais do Planeta


A história da luta pelo planeta sustentável

O desafio de salvar o Jari
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Aquecimento Global
Protocolo de Quioto
Amazónia pode deixar de existir
Floresta amazônica perdeu 11.968 km² em um ano, aponta Inpe
Após sofrer atentado, Ibama do PA apreende 11 mil m³ de madeira
Aprenda a vigiar a floresta usando o mapa do Globo Amazônia
MISSÃO ECOLÓGICA SEM FRONTEIRA
Chico Mendes
SOS AMAZONAS
 

É muito importante saber o que representa a Floresta Amazônica no contexto mundial. A floresta cobre uma área de mais de 5 milhões de km quadrados e se estende por 9 países: Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Suriname, Guiana Francesa e Guiana. A parte brasileira da floresta é calculada em 3.5 milhões de km quadrados, o que representa mais de 50% da floresta e quase 47% do território nacional. Um terço de todas as florestas existentes no mundo está no Brasil e a região Amazônica é a maior área preservada de floresta tropical no mundo.
O Rio Amazonas tem 6.868 km de extensão. O ponto mais profundo do rio chega a 120 m de profundidade, o que equivale a um prédio de 30 andares. A Bacia Amazônica é o maior reservatório de água doce do planeta, contendo quase 1/5 de toda a água do mundo.

A minha primeira experiência na Amazônia foi em 1986, quando trabalhava na Jakko Poyry Engenharia onde fui supervisor de projeto na área de automação industrial, ocasião em que desenvolvi o projeto da expansão e implantação da CADAM-CAULIM DA AMAZONIA S/A, uma das unidades do projeto JARI. Um exemplo de obra sustentável, todavia não deixou de causar um impacto maléfico a biodiversidade da região, pois a paisagem natural se encontra alterada.

A variedade de plantas, animais e microrganismos existentes em uma região é denominada de BIODIVERSIDADE. Atualmente, são conhecidas mais ou menos 800 espécies de mamíferos e entre 2.500 e 3.000 espécies de peixes na região Amazônica. Em apenas um hectare da Floresta Amazônica pode-se encontrar mais de 200 espécies de árvores. Mais de 30 mil plantas já foram catalogadas na Amazônia, mas acredita-se que existam outras 20 mil desconhecidas. Muitas destas plantas são úteis para a Humanidade. De todas as essências farmacêuticas utilizada atualmente pela medicina, 25% foram extraídas de matas tropicais como a Floresta Amazônica.

Em 1994, quando retornei do Japão, voltei novamente ao projeto prestando serviço para a Sathel - Engenharia e Montagem como terceirizado para desenvolver a política do 5s, um sistema de organização implantado pelos japoneses conhecido no mundo inteiro e também da implantação do ISO-9000. Mais tarde, trabalhei na própia CADAM-CAULIM DA AMAZONIA S/A no setor de engenharia gerenciando projetos e obras, responsável da área de Eletrica e Instrumentação.(1994/1997). Nesta ocasião, fui designado para fazer inspeção final de obra da PPSA, um complexo fabril também de caulim do Grupo Financeiro CAEMI no municipio de Barcarena/PARÁ. Em Belém, passei pelo famoso "VER O PESO", um mercado de Feira-livre, próximo ao terminal de balsas com destino a Barcarena. Fiz este trajeto durante uns quatro meses. Invariavelmente, pude observar balsas e mais balsas abarrotados de madeira, transportando para as madeireiras de Belém.

Fui também designado a fazer inspeção na mina de caulim onde é extraído o minério propriamente dito. Um lugarejo no Município de Ipixuna, próximo ao Rio Capim, uns 100 kilometros mata a dentro de Paragominas, localizado a Beira da rodovia Belém-Brasilia. A estrada para chegar até a unidade de extração era de chão batido. A minha indignação foi de cair o queixo. Carretas e mais carretas de caminhões "Volvo" também abarrotados de madeiras nobres, transportando para as madeireiras localizadas ao longo da rodovia Belém-Brasilia, pois a paisagem entre Paragominas e Belém é só de grandes madeireiras.

Saindo do projeto Jari, fui morar em Macapá, onde comprei um barco com capacidade de 40 tonelada cadastrado na capitania do porto de Munguba-PA como Lady Katia. quando tive a oportunidade de viajar no Rio Amazonas a dentro, saindo de Macapá, passando por Gurupá, Porto de Moz, entrando no Rio Xingu, até chegar em Altamira. Voltando, passei por Almerim, saí do Rio Amazonas e entrei no Rio Jari, até chegar em Monte Dourado, onde está localizado o Projeto Jari e retornado novamente até Macapá. O que eu vi foi um misto de euforia e tristeza. Euforia porque pude sentir na pele, como vivem os povos ribeirinhos, como funciona o extrativismo e sentir de perto a exuberância da floresta Amazonica com toda a sua biodiversidade e, tristeza porque, além dos barcos abarrotados de madeiras trafegando no rio, a paisagem predominante era de fumaças saindo das madeireiras em grande quantidade ao longo dos Rios, tanto do Amazonas como do Xingu e Jari

Morei no projeto Jari durante 3 anos. Lá já não existia mais madeira de lei porque os móveis que adquiri na ocasião eram oriundo de Santarém, Gurupá e Monte Alegre.

Fiquei em Macapá durante 3 anos (1997/2000). Em quase todo o Estado do Amapá tambem já não tem madeira de lei porque eu testemunhei que as madeiras vinham da região de Afuá, Gurupá e Santarém.

Apesar de sua riqueza e beleza, a Amazônia está ameaçada de destruição. No mundo inteiro 12 a 20 hectares de floresta são completamente destruídos a cada minuto e uma espécie de animal é extinta a cada meia hora. A Amazônia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna. Hoje, a área total vítima do desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazônia. Sobretudo a partir de 1988, desencadeou-se uma discussão internacional a respeito do papel da Amazônia no equilíbrio da biosfera e das conseqüências da devastação que, segundo os especialistas, pode inclusive alterar o clima da Terra.

Precisamos urgentemente de dar um basta nesta devastação indiscriminada. Façamos alguma coisa antes que seja tarde demais!!!

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"Não dê o peixe de graça. O importante é ensinar a pescar".