USINA DE AVANHANDAVA
 
O Salto do Avanhandava, no rio Tietê, não existe mais. Foi inundado
por uma das inúmeras barragens para hidrelétricas construídas no rio durante os últimos cinqüenta anos. Ele ficava muito próximo à colônia militar de Avanhandava, posto avançado construído pelo Império em 1858. Chegou a contar com quarenta e poucas pessoas, mas, já esquecida, devido ao fim da Guerra com o Paraguai, foi atacada por índios em 1886 e abandonada pelos seus poucos habitantes. Em 1905, a expedição que levantou parte do deserto Oeste Paulista encontrou-a em ruínas. É essa Avanhandava que aparece no mapa abaixo, de 1908: nada tem a ver com a cidade do mesmo nome que hoje exite ao sul do rio e que se originou da estação ferroviária originalmente chamada de Miguel Calmon.
 
Em 1858, o Império houve por bem construir dois postos militares, colônias na verdade, próximo aos dois maiores saltos do tio Tietê, único rio razoavelmente mapeado naquela época no oeste paulista. Uma era a de Itapura, quase na foz com o rio Paraná, a outra era a de Avanhandava. Com o início da Guerra do Paraguai, seis anos depois, elas tiveram sua função, mas com o fim desta, foram literalmente esquecidas pelo Governo Provincial. Embora tenha havido tentativas de construção de uma estrada que as uniria até Botucatu, por duas vezes, a última em 1881, o projeto não vingou, tendo sido construído apenas alguns quilômetros, abandonados em seguida. Em 1886, a colônia de Avanhandava foi atacada por índios, e o restante de população que ela tinha deixou o local. Em 1905, a expedição promovida pelo Governo Estadual para mapear os rios do oeste paulista, "terra desabitada e povoada por índios" de acordo com os mapas da época, encontrou apenas ruínas em Itapura e em Avanhandava. Esta última ainda se reergueu em parte com a tímida exploração turística do salto de Avanhandava, um dos mais belos do rio Tietê; entretanto, este salto foi inundado quando da construção da hidrelétrica de Nova Avanhandava, nos anos 1970.

*O Salto do Avanhamdava, pintado por Langsdorff no século XIX, hoje somente existe no nome de alguns clubes e hotéis da região, e da pequena vila ao lado do que um dia foi o salto...


O mapa acima (da E. F. Sorocabana, embora a linha que ali apareça seja o trecho inicial da Noroeste) mostra o salto em 1908. Os nomes das
localidades à sua volta foram quase todos alterados durante o século XX, pois era uma região praticamente inexplorada ainda. Penápolis ainda não existia, nem como estação, e Miguel Calmon é a atual cidade de Avanhandava, bem longe do salto, antes de Penápolis na linha da Noroeste.
Até onde sei, esta ponte, aqui fotografada durante sua construção,
no final dos anos 1930, não existe mais também: com o alargamento
do rio devido à barragem, ela teve de ser substituída por outra
maior e mais moderna. (Foto dos arquivos do autor, e provavelmente
originada do jornal O Estado de S. Paulo da época, em "off-set")
 
O salto, por volta de 1940. (Foto dos arquivos do autor)