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QUISSAMÃ

Quissamã
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Município de Quissamã
Aniversário 12 de junho
Fundação 4 de janeiro de 1989 (21 anos)
Gentílico quissamense
Prefeito(a) Armando Cunha Carneiro da Silva
(2005–2008)

Localização de Quissamã no Brasil
22° 06' 25" S 41° 28' 19" O22° 06' 25" S 41° 28' 19" O

Unidade federativa Rio de Janeiro
Mesorregião Norte Fluminense IBGE/2008


Microrregião Macaé IBGE/2008
Municípios limítrofes Campos dos Goytacazes, Carapebus, Oceano Atlântico e Conceição de Macabu
Distância até a capital 234 km
Características geográficas
População 20244 hab. Censo IBGE/2010
Densidade 28,28 hab./km²
Clima tropical sub-úmido seco, megatérmico, chuvas de verão

Fuso horário UTC-3
Indicadores

IDH 0,732 (RJ: 74º) – médio PNUD/2000
PIB R$ 3 435 197,408 mil IBGE/2008
PIB per capita R$ 177851.28 IBGE/2008
Quissamã é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, mesorregião do Norte Fluminense, microrregião de Macaé.

Com 715,877 km² de área, é limitado a oeste pelos municípios de Carapebus e Conceição de Macabu, ao norte e a leste por Campos, e ao sul pelo Oceano Atlântico. Sua população é de 17.315 habitantes (2008), com um significativo crescimento desde a emancipação em 1989.

Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba
Casa da fazenda Quissamã, erguida em 1826, atual Museu Casa de Quissamã
Canal Campos-Macaé na zona urbana de Quissamã.
 

Etimologia
O “Roteiro dos Sete Capitães”, escrito por Miguel Aires Maldonado, conta que o nome “Quissamã” foi dado à região em sua viagem de exploração no ano de 1632. Na sesmaria que os Sete Capitães tinham recebido, havia um aldeamento de índios Goitacases conhecido como Aldeia Nova. Ao chegarem para conhecer o local, eles foram recepcionados por um grupo de índios e um negro que vivia entre eles. Os exploradores ficaram perplexos ao verem aquele negro morando “em lugares incultos e sem moradores”. Ao lhe indagarem quem era e como viera parar ali, ele respondeu que era forro (escravo liberto); ao perguntarem se era crioulo (nascido no Brasil), ele respondeu que era da nação de Quissamã. No dia seguinte, o negro, que talvez fosse um escravo fugitivo, desapareceu e nunca mais foi visto. Quissamã é, de fato, uma palavra originada do nome da nação angolana Quiçama.[nota 2] Note-se que é um dos raros municípios brasileiros cujo nome têm origem africana.

O nome grafou-se originalmente Quissaman, passando depois para Quissamã.

 
 

História
Exploração
A região de Quissamã era dominada pelos índios Goitacazes na época do Descobrimento do Brasil.

No primórdio da colonização portuguesa, suas terras fizeram parte da Capitania de São Tomé, mas a região de Quissamã não foi ocupada pelos portugueses. Como a capitania foi abandonada pelo seu donatário, sete capitães portugueses solicitaram as terras da região como pagamento pelos serviços militares por eles prestados nos combates contra os piratas franceses que infestavam o norte do Rio de Janeiro e nas guerras com os holandeses. O governador da capitania do Rio de Janeiro, Martim Correa de Sá, concedeu-lhes, em 9 de agosto de 1627, uma sesmaria que se estendia do rio Macaé e até o cabo de São Tomé e que incluía o território atual de Quissamã.

Os índios Goitacazes da região foram atacados em 1630 pelos índios tupinambás cristianizados da Aldeia de São Pedro e, em seguida, dizimados por expedições militares de portugueses do Espírito Santo (estado). A região ficou praticamente vazia, o que facilitou sua colonização posterior.

Entre os anos 1632 e 1634, os sete capitães fizeram várias expedições de exploração da sesmaria que tinham recebido, e conseguiram firmar acordos com as esparsas populações locais, formadas por índios, mamelucos e náufragos. As suas aventuras foram relatados pelo seu líder Miguel Aires Maldonado na obra denominada "Roteiro dos Sete Capitães".

 
 

Colonização

Casa da fazenda Quissamã retratada por Ribeyrolles em 1863A ocupação da região começou com o estabelecimento de fazendas de criação de gado bovino em caráter semi-nômade, utilizando mão-de-obra indígena. A carne do gado abatido era salgada e vendida no Rio de Janeiro. Miguel Aires Maldonado, o líder dos sete capitães, ergueu currais e começou a criar gado no sudeste da Lagoa Feia na região próxima da atual "Barra do Furado". A região, cercada pelo mar, lagoas, canais naturais e brejos, era considerada uma ilha.

As terras de Miguel Aires Maldonado foram herdadas pelo capitão José de Barcellos Machado que, em 1688, abriu nas suas terras um canal artificial ligando a Lagoa Feia e o mar, que ficou conhecido como canal do Furado (atualmente, corresponde, grosso modo, ao Canal das Flexas).

O filho do capitão José de Barcellos Machado, capitão Luís de Barcelos Machado fundou, em julho de 1694, a capela de Nossa Senhora do Desterro na "ilha" do Furado. Logo depois, o Bispo do Rio de Janeiro erigiu a capela em sede de uma Capelania Curada a qual deviam obediência todos os povos até o rio Macaé. Surgiu então a povoação mais antiga da região entre Quissamã e Macaé.

Freguesia de Nossa Senhora do Desterro
No ano de 1732, o alcaide-mor Caetano de Barcelos Machado, neto do capitão Luís de Barcelos Machado, transferiu a sede de sua fazenda do Furado para Capivari, já totalmente dentro da área do atual município de Quissamã. Ali fundou uma nova capela com a mesma prerrogativa da anterior.

Em 1749, a capela foi promovida a igreja-matriz. A freguesia de Nossa Senhora do Desterro do Capivari foi criada por alvará de 12 janeiro de 1755, subordinada à então Vila de São Salvador de Campos dos Goytacazes

 
 

Mudança da freguesia

Casa da Fazenda Mato de Pipa (1777)
A mais antiga casa de senhor de engenho do norte fluminenseEstando em processo de ruínas, a igreja-matriz de Nossa Senhora do Desterro foi, em 1795, transferida provisoriamente para a capela situada no interior da Casa da Fazenda Mato de Pipa de propriedade do capitão Manuel Carneiro da Silva.

Perto da Casa da Fazenda Mato de Pipa e da fazenda Quissamã começava a se formar uma nova povoação. O Brigadeiro José Caetano de Barcelos Coutinho, neto do alcaide-mor Caetano de Barcelos Machado, cumprindo uma promessa religiosa, edificou a partir de 1805 uma nova igreja-matriz, que só foi concluída em 1815 pelos seus sobrinhos José Carneiro da Silva, futuro primeiro visconde de Araruama, e João Carneiro da Silva, futuro primeiro barão de Ururaí, assim como pelas suas irmãs Maria Isabel de Velasco e Ana Joaquim de Velasco. Esta primeira igreja-matriz foi erguida no mesmo local onde se encontra a atual, cuja construção terminou em 1924. Surgiu então a freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Quissamã, o segundo mais antigo núcleo de povoamento da região, e cujo desenvolvimento deu origem ao atual centro urbano de Quissamã.

Desde o início da colonização, a administração política e religiosa de Quissamã foi subordinada às autoridades da vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes. Devido a distância entre a vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes e as freguesias de Nossa Senhora do Desterro de Quissamã e de Nossa Senhora das Neves (atual região serrana de Macaé, o Bispo do Rio de Janeiro decidiu, em 1802, erigir a freguesia de Quissamã em Cabeça de Comarca, com a freguesia de Nossa Senhora das Neves subordinada a esta. Logo depois, em 1812, a Cabeça de Comarca passa ser a freguesia de São João de Macaé.

Criação da Vila de São João de Macaé
Um alvará real de 29 de julho de 1813 criou a vila de São João de Macaé desmembrada da cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio e incorporando a freguesia de Quissamã, que foi desmembrada da vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes.

A nova vila foi instalado em 25 de janeiro de 1814. Quissamã deixou assim de ser parte de Campos dos Goytacazes e continuará como freguesia de Macaé durante todo o Império, e depois como um distrito durante a República, até a emancipação.

 
 

Monocultura da cana-de-açúcar

Casa da fazenda Quissamã, erguida em 1826, atual Museu Casa de QuissamãA introdução da cultura da cana-de-açúcar na região de Campos dos Goytacazes ocorria desde 1650, com franca expansão por volta de 1778.

Em 1798 há uma grande crise mundial de açúcar devido à revolta dos escravos do Haiti. Aproveitando a alta dos preços, o capitão Manuel Carneiro da Silva, dono da fazenda Mato de Pipa, ergueu nas imediações da futura fazenda Machadinha - cujas terras também lhe pertenciam -, o primeiro engenho da região de Quissamã.

Embora tenha começado com a criação de gado de corte, e haja registros de plantações de algodão, café e anil, o município atingiu seu apogeu econômico com a monocultura açucareira durante oséculo XIX. A monocultura açucareira tinha maior necessidade de mão-de-obra para as plantações, e a região tornou-se uma grande compradora de escravos provenientes de outras regiões do Brasil ou da África.


Canal Campos-Macaé, construído de 1844 a 1861. À direita, Monumento ao Negro, homenagem aos escravos que construíram o canal.Com a riqueza do açúcar, as elites locais passaram a ter influência na vida política e econômica do país. A figura política proeminente nesta época é José Carneiro da Silva, que foi o primeiro a receber os títulos de barão e visconde de Araruama. Através de casamentos consangüíneos com filhos de famílias importantes da região ou com filhos de pessoas importantes da corte (Duque de Caxias, Eusébio de Queirós, João de Almeida Pereira Filho), o primeiro barão e visconde de Araruama fortaleceu sua posição política e econômica na região. Os laços polióticos com a corte permitiram a atração de investimentos em infra-estrutura que beneficiassem seus negócios.

A região precisava de novos caminhos para escoar a produção de açúcar, de modo que o governo provincial, com o estímulo e direção do primeiro barão e visconde de Araruama, construiu o canal Campos-Macaé cujo trajeto passa pelo centro de Quissamã.

 
 

Engenho Central de Quissamã

Engenho Central de QuissamãOs engenhos modernizaram-se e passaram a utilizar máquinas a vapor,[11] porém ainda havia necessidade de aumentar a produção e melhorar a qualidade do açúcar. O governo imperial resolveu então subsidiar a construção de engenhos centrais no Brasil.

Os grandes produtores de açúcar de Quissamã, todos parentes do primeiro barão e visconde de Araruama, uniram-se em sociedade para criar o primeiro engenho centralda América do Sul. Importaram os equipamentos mais modernos e inauguraram o Engenho Central de Quissamã no dia 12 de setembro de 1877. Uma linha férrea foi construída entre o Engenho Central e a Estrada de Ferro Macaé e Campos (posteriormente adquirida pela Leopoldina Railway).

No final do século XIX, a concorrência do açúcar de beterraba começou a prejudicar as exportações brasileiras de açúcar.

A situação piorou com a Crise Econômica Mundial de 1929. Vários fazendeiros endividaram-se e acabaram perdendo suas propriedades em favor do Engenho Central de Quissamã, que praticamente passou a monopolizar a economia local.

Desde então, Quissamã conheceu um longo período de estagnação, interrompido apenas na década de 1970, com o desenvolvimento do programa Proálcool.

A Emancipação
Com a descoberta do petróleo na Bacia de Campos, começou a haver expectativas de retomada do desenvolvimento econômico sem dependência exclusiva do Engenho Central de Quissamã.

A população organizou-se para lutar pela emancipação. O plebiscito foi realizado em 12 de junho de 1988 e o resultado foi amplamente favorável à emancipação.

A lei estadual oficializando a criação do município foi sancionada pelo então governador do estado do Rio de Janeiro, Moreira Franco, no dia 4 de janeiro de 1989.

 
 

Aspectos Físicos
Localização
O Município de Quissamã está a 22º 05’ de latitude sul e a 41º 28’ 30’’ de longitude oeste em uma área de 660Km² . Os limites do município são: Campos dos Goytacazes (Norte), Carapebús (Sul), Oceano Atlântico (Sul e Sudeste) e Conceição de Macabú (Oeste).

Relevo
Predomina em Quissamã o relevo de terras baixas com altitude de 5 a 83 metros acima do nível do mar. Pode-se dividir a região em planícies costeiras de cordões arenosos (que representam 70% do município), planície fluvial e tabuleiros costeiros.

Clima
Quissamã apresenta o clima sub-úmido seco, com bastante chuva no verão e muito calor distribuído ao longo do ano. A temperatura média mensal é superior a 18 ?. A precipitação média anual é de 1.000mm, com seca acentuada nos meses do inverno e os principais ventos são o nordeste e o sudoeste.

Solo e vegetação
Predomina o solo podzólico (massapê), ótimo para a cultura de cana-de-açúcar. Sua faixa litorânea apresenta o solo arenoso da restinga, onde estão sendo desenvolvidas experiências de cultivo do coco, do abacaxi e da cana-de-açúcar. Há ainda muitos campos de vegetação rasteira e brejos.

 
 

Hidrografia

Lagoa Feia
Segunda maior lagoa de água doce do Brasil. No limite Quissamã-Campos fica a Lagoa Feia, cujo nome esconde a sua real majestade e beleza. É a maior lagoa do estado e a segunda maior lagoa de água doce do Brasil em superfície, sendo superada somente pela Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul possuindo um espelho d’água de 16.000 hectares e profundidade média entre 1 e 2 metros.

O município ainda possui inúmeras lagoas como Ribeira, Paulista e Preta. Ao longo do litora, existem várias lagoas pequenas como: Piripiri, Maria Menina, Robalo, Visgueiro, Pires, Casa Velha e Carrilho. O chamado "rio Iguaçu" é verdadeiramente mais uma das lagoas do litoral, embora seja muito longa e estreita como um rio. Cada lagoa é um eco-sistema distinto, com diferentes características físico-químicas e biota (vegetais e animais).

Cortam a região os rios Macabu, do Meio e Carrapato, além de vários canais artificiais. O canal Campos-Macaé, construído de 1844 a 1861, é o segundo mais extenso canal artificial do mundo sendo somente superado pelo Canal de Suez. O Canal das Flexas foi aberto em 1948 para drenar a Lagoa Feia.

 
 

Meio ambiente

Praia de João Francisco e Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Além de suas praias, lagoas e canais, Quissamã destaca-se por ter 62,38% da área do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba dentro do seu município.

O Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba ocupa 13% da área total do território de Quissamã.

Dados socio-econômicos
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - 0,732.

Índice de Qualidade dos Municípios (IQM): 0,3528 - 24º lugar no estado. Houve uma evolução de 21 posições em relação ao comparativo 1998/2005, atingindo o melhor desempenho da região norte fluminense.

Educação
Educação básica gratuita do pré-primário ao 2º grau. Há programa de bolsas universitárias integrais para cerca de 700 jovens.

Saúde
Possui 10 postos de saúde, 1 centro de especialidade e 1 hospital com área de 7 mil m².

A taxa de mortalidade infantil é a menor do estado do Rio de Janeiro.

 
 

Uma setor promissor é o de turismo ecológico, histórico e rural. O resgate do patrimônio histórico-cultural foi feito com a restauração da Casa da Fazenda Quissamãe criação do Museu de Quissamã e do Parque Municipal; a restauração do complexo arquitetônico da fazenda de Machadinha; restauração da Casa da Fazenda Mandiqüera e no esforço pela preservação do Fado de Quissamã. O turismo ecológico foi incentivado com a criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba;

Outros esforços são despendidos com a qualificação profissional voltada para o setor petrolífero.

Infra-estrutura
100% Da área urbana com saneamento básico tratado em nível de terciário;
100% Da área urbana com água tratada;
100% Do lixo coletado e tratado em uma usina de reciclagem;
90% Das estradas vicinais asfaltas;
Internet banda larga gratuita para toda população.

 
 

Patrimônio histórico e cultural

Casa da Fazenda Mandiqüera erguida em 1875.Quissamã possui um dos maiores patrimônios históricos e culturais do Estado do Rio de Janeiro, especificamente relacionado com o desenvolvimento e apogeu da produção do açúcar no norte fluminense.

Destacam-se várias construções bem preservadas e abertas à visitação como a Casa da Fazenda Mato de Pipa de 1777 (a mais antiga casa de senhor de engenho do norte fluminense) e a Casa da Fazenda Quissamã de 1826 (que pertenceu aos viscondes de Araruama e de Quissamã e, atualmente, é um museu). Existem vários outros solares do século XIX bem preservados como os das fazendas São Manoel, Santa Francisca, Melo, Floresta, entre outros.

Outras construções de importância história estão abandonadas, como a Casa da Fazenda Mandiqüera e o Engenho Central de Quissamã (o primeiro da America Latina).

Há ainda ruínas imponentes como a Casa da Fazenda Machadinha, que pertenceu a um neto do duque de Caxias, cujas senzalas estão ainda habitadas por pessoas que preservaram uma culinária típica e o canto e dança do "fado de Quissamã", uma forma de jongo.

Ligações externas
Página da prefeitura
Projeto Jurubatiba Sustentável
Notícias e informações sobre Quissamã

 
 
 
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