Canal
Campos-Macaé Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. O Canal Campos–Macaé, também denominado Canal Macaé-Campos, é um canal artificial que interligava as cidades Macaé e Campos dos Goytacazes na região norte do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. O canal corta os atuais municípios de Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus e Macaé, além do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. |
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É considerado como uma das maiores obras de engenharia do país à época do Império. O seu percurso, com uma largura média de 15 metros, estendia-se por 106 quilômetros, sem contar os diversos canais de derivação. Considerando-se apenas a extensão, é o segundo canal artificial mais longo do mundo, sendo superado apenas pelo Canal de Suez (163 quilômetros), e superando o Canal do Panamá (82 quilômetros). História |
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Em 1833,
a Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes encaminhou um |
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a representação
ao então presidente da Província do Rio de Janeiro sobre
a utilidade de um canal "...por onde pudessem sair em qualquer tempo
os produtos agrícolas do município e outros gêneros
de consumo." O 1º barão e visconde de Araruama tornou-se
o grande incentivador da obra quando, em 1836, publicou a "Memória
sobre a abertura de um novo canal para facilitar a comunicação
entre a cidade de Campos dos Goytacazes, e a vila de S. João de
Macaé". Ali afirmava que a construção de um
canal "...contribuiria para o dessecamento dos pantanais da região,
para a fluência das águas estagnadas, |
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para o
transporte por via fluvial e para a substituição do porto
de São João |
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da Barra, com foz perigosa, pelo de Macaé". Ao mesmo tempo, utilizou a sua influência política para convencer o governo provincial a realizar as obras que iriam beneficiar diretamente as suas propriedades. Embora seja freqüentemente referido que o barão e visconde de Araruama concebeu o projeto, o seu próprio filho, João José Carneiro da Silva, barão do Monte de Cedro, atribuiu a idéia ao bispo de Olinda citado e também a José Silvestre Rabelo. |
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O projeto
do canal, datado de 1837, é de autoria do engenheiro inglês
John |
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Henry Freese. A sua construção foi autorizada por lei da Assembléia Provincial do Rio de Janeiro em 19 de outubro do mesmo ano. O canal foi concebido principalmente como uma hidrovia para transporte do açúcar produzido na região de Quissamã e Carapebus, que até então era transportado até ao porto de Imbetiba (Macaé) por carros de bois ou por via marítima através da lagoa Feia, do canal das Flexas e da barra do Furado. As demais opções naturais de transporte marítimo passavam pelo rio Paraíba do Sul ou pelo porto de São João da Barra, mas tinham percursos mais |
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extensos
e não atendiam às fazendas em Quissamã e Carapebus.
De qualquer |
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modo, o
transporte marítimo de carga em pequenas embarcações,
desde a |
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barra do Paraíba do Sul ou da barra do Furado (canal das Flexas) até ao porto de Imbetiba, era arriscado. A barra do Paraíba do Sul era especialmente temida pela quantidade de acidentes. Complementarmente, o canal serviria para sanear a região pantanosa de Quissamã, à época infestada de mosquitos transmissores da febre palustre, contribuindo para a drenagem de brejos, aumentando a superfície de terras cultiváveis, a ser aproveitadas no cultivo da cana-de-açúcar ou como campos de pastagem. Charles Ribeyrolles, na sua obra "Brésil pittoresque", listou vinte lagoas que foram inteiramente drenadas com a construção do canal e outras mais profundas, como as lagoas do Jesus, |
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Paulista
e de Carapebus, que foram esvaziadas parcialmente. |
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O próprio
barão de Araruama foi contratado para a empreitada. A comissão
do governo provincial encarregada do projeto era composta por ele e por
seu irmão, o 1º barão de Ururaí, que a presidia[6].
O primeiro engenheiro responsável pelas obras foi o tenente-coronel
Ernesto Augusto César Eduardo de Miranda[7]. As obras iniciaram-se
oficialmente a 1 de outubro de 1844, estendendo-se até 1861, utilizando
a mão-de-obra de escravos africanos. O contrato exigia que o canal
tivesse 30 palmos à flor d'água (cerca de 6,60 metros de
profundidade), o que causou o desmoronamento de certos trechos, onde demandou
o seu alargamento. Estima-se que a obra tenha custado dois mil contos
de réis. |
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Em 1847,
o imperador D. Pedro II fez uma viagem para conhecer a próspera |
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região
Norte Fluminense e, especialmente, para inspecionar as obras do canal,
tendo se hospedado na Casa da Fazenda Quissamã, pertencente ao
barão e visconde de Araruama. No ano de 1858, apesar de ainda em
obras na vizinhança de Macaé, já era utilizado para
o transporte de mercadorias e de passageiros. As embarcações
utilizadas eram balsas de toras de madeira, taboados, pranchas e canoas.
Relata-se que o canal era percorrido por balsas com mais de 100 braças
(220 metros) de comprimento, empregando de 30 a 40 remadores. Computou-se
o tráfego de 60 pranchas grandes e pequenas, algumas com até
100 braças (220 |
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metros)
de comprimento e 13 palmos de boca (2,86 metros de largura). Nos |
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trechos em que ainda transcorriam obras, as cargas e os passageiros tinham que passar por baldeação em carros de boi ou no lombo de animais[8]. O barão e visconde de Araruama, além da execução das obras, também foi contratado para efetuar a conservação do canal nos trechos que passavam a ser utilizados. O contrato de conservação expirou em 1858 e o governo abriu uma licitação para renová-lo. A única proposta apresentada foi de autoria do barão e visconde de Araruama que, assim, foi recontratado para mais um período de conservação. |
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O canal
tinha toda a sua extensão aberta à navegação
em 1861, porém |
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somente
em 1872 passou a ser navegado por uma embarcação a vapor
(o "Vapor Visconde"), que transportava carga e passageiros,
além das embarcações tradicionais movidas a remos
e varas. Em sua primeira viagem, o vapor Visconde partiu de Campos no
dia 19 de fevereiro de 1872 rebocando uma prancha com 11 passageiros e
levou quase dois dias completos para chegar à Macaé. O uso
desta hidrovia entrou em declínio após 1874 com o início
da operação da Estrada de Ferro Macaé e Campos, que
oferecia maior rapidez e menor custo de operação. |
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No século XX, a partir de 1935 foram promovidas várias obras de dragagem que incorporaram o canal a uma rede de canais e comportas utilizada para drenagem e despejo de esgotos na Baixada Campista. A extensão total dessa rede é de 1.450 quilômetros. Além do canal Campos-Macaé, outros canais de navegação foram construídos na região Norte Fluminense durante o século XIX, como o canal do Nogueira (aberto de 1853 a 1858), o canal de Cacimbas e o canal da Onça. Condições
atuais Em termos físicos, a região por ele cortada é aplainada e baixa, com dificuldades para o escoamento das águas dos rios para o mar, o que propicia a formação de lagoas e alagadiços. Por essa razão, o antigo canal mantém a sua importância para a irrigação e a drenagem, em conjunto com outros canais e valas abertos secularmente na região. Em termos económico-sociais, percorre uma extensa área rural onde predomina a pecuária bovina e a agro-indústria açucareira. Com relação ao meio-ambiente, uma boa parte do seu percurso corta o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, única unidade de conservação da natureza do país em restinga, reconhecido pela UNESCO como reserva da biosfera. Próximo à barra do rio Macaé, o canal atravessa uma faixa de manguezal, tipo de vegetação que o atual Código Florestal brasileiro considera como reserva ecológica, sob a proteção do IBAMA. O seu leito não se encontra totalmente navegável, uma vez que: diversos
trechos encontram-se praticamente secos devido a bloqueios ou assoreamento;
O Canal Campos-Macaé foi objeto de Tombamento Provisório pelo INEPAC em 2002[11]. Um projeto para a sua recuperação vem sendo o ponto de partida para incentivar o turismo histórico e ecológico e o desenvolvimento sustentável da região Norte Fluminense. Percurso A partir do centro da cidade de Campos dos Goytacazes, o canal segue no sentido sul-sudoeste até à periferia e à área rural (coordenadas 21°47.104'S 41°20.178'O). O seu trajeto original no sentido sul-sudoeste foi bloqueado na altura da estrada do Carvão (21°47.438'S 41°20.293'O) e suas águas são desviadas na direção sul para o canal de Tocos, que deságua na lagoa do Jacaré, que por sua vez se liga com a lagoa Feia. O trajeto original segue até cruzar o rio Ururaí (coordenadas 21°52.247'S 41°24.617'O) e contorna as bordas noroeste e oeste da lagoa Feia, o que à época permitiu a drenagem da águas desta região alagadiça. Outros canais, menores, ligam o principal com a lagoa Feia. Depois de cruzar o rio Macabu (coordenadas 21°59.308'S 41°26.988'O) a oeste da lagoa Feia, o canal inflete na direção sudoeste na altura da fazenda Machadinha (coordenadas 22°01.781'S 41°26.734'O), que foi propriedade dos barões de Ururaí, irmão e filho do 1º barão e visconde de Araruama. Depois o canal segue até à área urbana da cidade de Quissamã (coordenadas 22°06.229'S 41°28.317'O), passando próximo às casas da fazenda Quissamã e do Mato de Pipa, que, à época de sua construção, eram propriedades do maior incentivador e empreiteiro da obra, o 1º barão e visconde de Araruama. A seguir, o percurso continua em direção ao Engenho Central de Quissamã (coordenadas 22°07.080'S 41°29.569'O) e atinge novamente a área rural. Passa então pelo brejo do Arrozal (coordenadas 22°09.428'S 41°32.817'O) onde, já dentro do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, aproveita uma comunicação natural (coordenadas 22° 11.222'S 41° 32.490'O) para chegar à lagoa Paulista. Desta, o canal prossegue (coordenadas 22°12.504'S 41°33.147'O) em linha reta na direção oeste-sudoeste, com apenas um curto desvio, até a chegar à lagoa de Carapebus (coordenadas 22°13.651'S 41°36.513'O). A partir da lagoa de Carapebus (coordenadas 22°14.059'S 41°36.766'O), continua na direção sudoeste, seguindo paralelo à costa em um trecho atualmente muito assoreado e mesmo seco (coordenadas 22°15.559'S 41°39.597'O). Prossegue em trajeto retilíneo com um curto desvio e atinge a lagoa de Cabiúnas (coordenadas 22° 17.148'S 41°41.606'O). Saindo desta (coordenadas 22°17.643'S 41°41.736'O), ingressa na área urbana de Macaé, até ao bairro Aeroporto (coordenadas 22°20.385'S 41°45.631'O) e chega ao rio Macaé (coordenadas 22°21.763'S 41°46.627'O) a cerca de 1 quilômetro da sua barra. Daí, vencia-se ainda um pequeno trajeto por mar até ao porto de Imbetiba, em Macaé. As águas do canal fluiam do rio Paraíba do Sul (cota 14) em direção à lagoa Feia (cota 3) e, daí, até ao rio Macaé (cota 0)[12]. Uma parte de suas águas vai para o mar passando pela lagoa Feia e o canal das Flexas até à Barra do Furado. Como chegar
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